Estão abertas as inscrições de concursos públicos para várias prefeituras e secretarias de saúde de Estados. Olhando pelo lado da oferta de vagas, podemos pensar de maneira positiva pela abertura de mais postos de trabalho. Porém, se analisarmos pelo lado financeiro, os concursos são pouco atrativos. Oferecem baixos salários com jornadas de trabalho que inviabilizam uma segunda ou terceira atividade remunerada. Tornando-se uma opção pouco viável para os Farmacêuticos.

As diferenças de salários entre os profissionais de saúde, ainda persistem em vários editais publicados nos jornais especializados sobre concursos públicos. A oferta de vagas não é lá grande coisa, mas sempre ampliam os postos de trabalho. O problema é que o farmacêutico que for aprovado em um concurso para trabalhar 40 horas e ganhar R$ 1.000,00 acaba sendo prejudicado, tanto profissionalmente como financeiramente. Pois além de ter uma remuneração menor do que outros profissionais de saúde, com médicos, dentistas e enfermeiros, não sobrará tempo para exercer outra atividade remunerada, pois terá a sua jornada de trabalho ocupada com a atividade pública.

As prefeituras e secretarias estaduais de saúde poderiam (deveriam) utilizar como parâmetro para medir o salário dos Farmacêuticos, o montante gasto em medicamentos e insumos para manter seus serviços funcionando sob a responsabilidade desses profissionais. O secretário de saúde de Palmas (TO), em um evento da classe, afirmou que os Farmacêuticos trouxeram uma economia de quase 900 mil reais em oito meses da implantação do controle que evita os desperdícios de medicamentos.

Então, quando fomos conversar sobre uma gratificação ou aumento de salário a conversa mudou de rumo. Então somos necessários, trazemos redução dos gastos, geramos economia, mas financeiramente não somos reconhecidos. Precisamos rever a nossa postura profissional diante dos empregadores, melhor, precisamos avaliar se vale a pena fazer esses “concursinhos” mixurucas, que mais parecem legalizar a contratação de apadrinhados políticos sob a justificativa da baixa procura de profissionais pelo concurso.

Todas as secretarias de saúde trabalham com medicamentos, recebem verba do governo federal para isso, repasses per capta para adquirir medicamentos, além de recursos próprios. Porém esquecem que não basta comprar de deixar “a porta aberta”. É preciso controle, é preciso saber usar, é preciso saber prescrever.

De nada adianta comprar medicamentos de forma desorientada, se não houver um bom controle e uma prescrição e utilização eficientes. Enquanto isso, a maioria das SEMUS e SESAU, continuam oferendo salários miseráveis com jornadas de trabalho extensas. Infelizmente, como o próprio nome diz, o concurso é público, faz quem quiser.

Renato Soares Pires Melo
CRF/TO 289
Secretario Geral da Feifar