MINISTÉRIO DA SAÚDE EMITE ALERTA MÁXIMO PARA MPOX EM ESTADOS COM MONITORAMENTO REFORÇADO; FEIFAR ORIENTA FARMACÊUTICOS SOBRE IDENTIFICAÇÃO E PREVENÇÃO

O avanço recente da mpox no Brasil levou o Ministério da Saúde a emitir alerta máximo para moradores de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rondônia e do Distrito Federal. Dados oficiais apontam cerca de 90 casos confirmados no país e mais de 180 notificações suspeitas em apuração, com maior concentração em São Paulo, seguido por Rio de Janeiro e demais unidades federativas incluídas no monitoramento reforçado.

Segundo o Ministério, a vigilância epidemiológica foi intensificada para conter a circulação do vírus, especialmente em áreas urbanas. O Sistema Único de Saúde (SUS) permanece preparado para atender pacientes com sintomas, realizar exames laboratoriais e adotar medidas de isolamento quando necessário.

De acordo com o Ministério da Saúde, a mpox é uma doença causada pelo mpox vírus (MPXV), do gênero Orthopoxvirus, e a transmissão para humanos pode ocorrer por contato com pessoa infectada, materiais contaminados e, em determinados contextos, animais silvestres infectados. A principal forma de transmissão entre pessoas ocorre por contato direto com lesões/erupções na pele, secreções e fluidos corporais, além de exposição próxima e prolongada a gotículas e secreções respiratórias. O contato com objetos recentemente contaminados (como roupas, toalhas e roupas de cama) também pode levar à infecção. O Ministério esclarece, ainda, que uma pessoa pode transmitir a doença desde o início dos sintomas até que a erupção tenha cicatrizado completamente e uma nova camada de pele se forme.

O que é mpox e quais são os principais sinais e sintomas

Conforme as orientações do Ministério da Saúde, os sinais e sintomas, em geral, incluem:

  • Erupções cutâneas ou lesões de pele (que podem evoluir com bolhas, feridas e crostas)
  • Adenomegalia (linfonodos inchados/“ínguas”)
  • Febre
  • Dor de cabeça
  • Dores no corpo
  • Calafrio
  • Fraqueza

O período de incubação (intervalo entre o contato com o vírus e o início dos sintomas) é tipicamente de 3 a 16 dias, podendo chegar a 21 dias. As erupções na pele geralmente surgem um a três dias após o início da febre, mas podem aparecer antes.

As lesões podem ser planas ou levemente elevadas, preenchidas com líquido claro ou amarelado, podendo formar crostas que secam e caem. Podem se concentrar no rosto, palmas das mãos e plantas dos pés, mas também ocorrer em qualquer parte do corpo, inclusive boca, olhos, genitais e ânus.

Diagnóstico e conduta no SUS

O Ministério da Saúde orienta que o diagnóstico é laboratorial, por teste molecular ou sequenciamento genético. A coleta deve ser feita, preferencialmente, da secreção das lesões; quando as lesões já estiverem secas, o material encaminhado são as crostas. As amostras são direcionadas aos laboratórios de referência.

O Ministério também indica que o diagnóstico diferencial pode incluir, entre outros, varicela/zoster, herpes simples, infecções bacterianas da pele, sífilis, cancroide, linfogranuloma venéreo, molusco contagioso e reações alérgicas, reforçando a necessidade de avaliação clínica e investigação adequada mesmo quando outros testes sejam positivos, devido a relatos de coinfecções.

Prevenção, tratamento e vacinação

Conforme o Ministério da Saúde, não há medicamento aprovado especificamente para mpox até o momento. O tratamento é baseado em medidas de suporte clínico para aliviar sintomas, prevenir complicações e evitar sequelas. Em geral, os casos apresentam sinais e sintomas leves a moderados, e pessoas diagnosticadas devem cumprir isolamento até a cicatrização completa das lesões.

A principal forma de proteção é a prevenção, com orientação para evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação e não compartilhar objetos pessoais (toalhas, roupas, lençóis, escova de dente, talheres). O Ministério recomenda higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel e a limpeza e desinfecção de superfícies potencialmente contaminadas, além do descarte adequado de resíduos (por exemplo, curativos).

Quando houver necessidade de contato (cuidadores, profissionais de saúde, familiares próximos e parceiros íntimos), o Ministério orienta o uso de luvas, máscaras, avental e óculos de proteção.

Sobre vacinação, o Ministério informa que a estratégia prioriza pessoas com maior risco de evolução para formas graves. Entre os públicos citados nas orientações do Ministério, destacam-se:

  • Pré-exposição: pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA) — homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais — com 18 anos ou mais e contagem de CD4 < 200 nos últimos seis meses; e profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvírus (NB-2), de 18 a 49 anos.
  • Pós-exposição: pessoas com contato direto com fluidos e secreções de casos suspeitos, prováveis ou confirmados, cuja exposição seja classificada como de alto ou médio risco, conforme avaliação da vigilância local.

PASSO A PASSO: COMO FARMACÊUTICOS PODEM CONTRIBUIR PARA IDENTIFICAÇÃO, CONTROLE E ORIENTAÇÃO (NOTA INSTITUCIONAL FEIFAR)

A FEIFAR orienta que farmacêuticos que atuam em farmácias, drogarias, serviços de saúde, consultórios farmacêuticos, laboratórios e demais pontos de atenção mantenham postura ativa e tecnicamente fundamentada para apoiar a vigilância e a proteção da população, em alinhamento com as diretrizes do Ministério da Saúde.

1) Identificar sinais e sintomas na triagem e na escuta qualificada

  • Esteja atento a queixas como febre, dor de cabeça, dores no corpo, calafrios, fraqueza, ínguas (linfonodos inchados) e, sobretudo, lesões/erupções cutâneas.
  • Considere que as lesões podem ocorrer também em boca, olhos, genitais e ânus, e que podem iniciar como lesões planas ou elevadas, com líquido e posterior formação de crostas.
  • Oriente que o período de incubação pode variar de 3 a 16 dias, chegando a 21 dias, o que ajuda na investigação temporal de exposição.

2) Orientar o paciente sobre prevenção imediata e redução de transmissão

  • Recomende evitar contato físico próximo e não compartilhar objetos pessoais (toalhas, roupas, lençóis, escova de dente, talheres) até esclarecimento diagnóstico.
  • Reforce higiene das mãos com água e sabão ou álcool em gel, especialmente após contato com lesões, secreções, roupas e superfícies possivelmente contaminadas.
  • Se houver suspeita, oriente o paciente a procurar atendimento no SUS para avaliação e definição de medidas, incluindo isolamento quando indicado.

3) Reforçar medidas de controle no ambiente de trabalho

  • Adote e incentive rotinas de limpeza e desinfecção de superfícies e de descarte adequado de resíduos potencialmente contaminados (ex.: curativos), conforme boas práticas e orientação sanitária.
  • Em caso de atendimento próximo e prolongado em serviços de saúde, reforce o uso de EPI quando aplicável (luvas, máscara, avental e óculos de proteção), conforme recomendações do Ministério para situações de contato necessário.

4) Encaminhar corretamente para diagnóstico e acompanhamento

  • Oriente que o diagnóstico é laboratorial (teste molecular/ sequenciamento), com coleta preferencial de secreção das lesões ou crostas, quando já secas, e processamento em laboratórios de referência.
  • Destaque que não existe tratamento específico aprovado e que o manejo se baseia em suporte clínico, alívio de sintomas e prevenção de complicações, conforme o Ministério.

5) Qualificar a orientação aos demais profissionais de saúde (e evitar desinformação)

  • Compartilhe informações objetivas sobre formas de transmissão (contato com lesões/pele, secreções e fluidos corporais; objetos contaminados; exposição próxima prolongada a secreções respiratórias).
  • Reforce que o paciente transmite desde o início dos sintomas até a cicatrização completa das lesões e formação de nova pele.
  • Ao discutir hipóteses, lembre-se do diagnóstico diferencial indicado pelo Ministério (como varicela/zoster, herpes simples, sífilis e outras dermatoses), evitando conclusões apressadas.

6) Apoiar ações de vigilância e vacinação dentro dos critérios oficiais

  • Oriente usuários e equipes sobre a existência de estratégias de vacinação definidas pelo Ministério, com públicos prioritários (pré e pós-exposição), sempre mediante avaliação dos serviços e da vigilância local.
  • Encaminhe casos suspeitos e contatos de risco para avaliação pelos canais oficiais, respeitando fluxos municipais/estaduais.

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