A Federação Interestadual dos Farmacêuticos (FEIFAR) emite uma nota de orientação estratégica aos sindicatos filiados em todo o território nacional acerca da crescente complexidade nas relações de trabalho decorrentes da terceirização e da “quarteirização” de serviços no setor público. Observa-se um modelo em que entes governamentais contratam organizações privadas para a gestão de serviços de saúde, e estas, por sua vez, subcontratam uma segunda empresa para administrar a folha de pagamento e a gestão de recursos humanos. Esse cenário exige vigilância redobrada das entidades sindicais para garantir que os direitos trabalhistas dos farmacêuticos não sejam precarizados em meio ao emaranhado contratual.
A CADEIA DE CONTRATAÇÃO E A RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA
No ordenamento jurídico trabalhista brasileiro, a configuração de uma cadeia de contratação não exime os tomadores de serviço de suas obrigações legais. Quando um ente público ou uma empresa principal delega a execução de serviços e a gestão de pessoal a terceiros, estabelece-se o que a doutrina e a jurisprudência definem como responsabilidade subsidiária. Isso significa que, em caso de inadimplência das obrigações trabalhistas pela empresa que contratou diretamente o profissional, todas as demais empresas e órgãos públicos beneficiados pelo trabalho do farmacêutico podem ser acionados para quitar os débitos, desde que tenham participado da relação processual.
A NECESSIDADE DE NOTIFICAÇÃO DE TODOS OS ENTES ENVOLVIDOS
A orientação central da FEIFAR para os sindicatos é que, ao identificar qualquer irregularidade — como atrasos salariais, falta de recolhimento de encargos ou descumprimento de convenções coletivas —, a entidade deve proceder com a notificação formal de todos os responsáveis da cadeia. É imperativo que a notificação alcance o ente público tomador, a empresa gestora principal e a empresa responsável pela folha de pagamento. Essa medida assegura que todos os envolvidos tomem ciência da infração, gerando o lastro documental necessário para futuras ações judiciais e impedindo que os responsáveis aleguem desconhecimento sobre a precarização ocorrida na ponta da prestação do serviço.
ORIENTAÇÃO AOS SINDICATOS PARA A DEFESA DA CATEGORIA
Os sindicatos devem atuar de forma proativa na fiscalização desses contratos, exigindo transparência sobre quem são as empresas que compõem a cadeia de gestão. O farmacêutico, enquanto elo essencial da saúde pública, não pode ser prejudicado por falhas na gestão financeira entre empresas privadas e a administração pública. A FEIFAR reforça que a proteção do piso salarial e das condições dignas de trabalho é inegociável, independentemente da modalidade de contratação adotada, e que o fortalecimento da via administrativa de notificação é o primeiro passo para a garantia do patrimônio alimentar do trabalhador.
APOIO A FEIFAR
O trabalho de orientação e defesa jurídica realizado pela FEIFAR é essencial para manter os sindicatos de todo o Brasil alinhados e preparados contra a precarização. Se você considera estas informações importantes para o fortalecimento da nossa categoria, apoie o trabalho da federação com uma doação de qualquer valor. Sua contribuição fortalece a luta pela valorização do farmacêutico.
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Fonte: Federação Interestadual dos Farmacêuticos – FEIFAR.
Palavras-chave: responsabilidade subsidiária, terceirização na saúde, direitos trabalhistas, farmacêuticos, FEIFAR.

